A abertura com Solitary One, um som extremamente soturno, doom, com um teclado hipnótico com reminiscências do Black Metal mais voltado ao som ambiente, já percebi que em mãos eu tinha um dos melhores trabalhos (se não o melhor!) do Paradise Lost. Desde com The Anatomy of Melancholy e do aclamado Faith Divide Us - Death Unites Us, os ingleses (que fazem a tríade do Doom/Death Metal britânico ao lado de My Dying Bride e Anathema) vêm retomando seu posto de uma das mais importantes bandas, perdido em discos experimentais no meio de sua história. E com Tragic Idol, o Paradise Lost coloca seu nome de vez novamente no seleto hall de bandas que vem se destacando cada vez mais.
Tragic Idol é uma mistura do resgate da sonoridade de seus primeiros discos com a visão no futuro da banda em novos experimentos. O som melancólico, soturno, aclamado em Draconian Times, está muito evidente, melodias belas e envolventes como em Fear of Impending Hell (com belíssimas harmonias muito bem arranjadas) e Honesty in Death deixam qualquer ouvinte abismado com o trabalho da banda. A banda literalmente solta a mão em algumas músicas, fazendo desse novo trabalho um dos mais pesados de sua carreira - Theories From Another World chega a ter partes que é Death Metal puro; Cruficy tem um peso absurdo e melancólico, em uma maestria de arranjos; In This We Dwell traz a banda em novas sonoridades, dessa vez caminhando pelos riffs tradicionais da NWOBHM, algo nunca feito antes na história do Paradise Lost. The Glorious End termina o trabalho de forma tétrica, arrastada, a banda colocando sua alma em evidência.
Nick Holmes se destaca. Sua voz está perfeita, alcançando notas antes nunca cantadas e trabalhando seu timbre com maestria, variando do mais agressivo e rasgado com o mais limpo e melancólico com uma naturalidade impressionante, tudo amparado por perfeitas interpretações das letras; arrisco a dizer que o vocalista chegou ao seu ápice de técnica. Outro que rouba a atenção é Greg Mackintosh... Riffs soberbos, sua guitarra foi muito bem trabalhada em todos os termos: arranjos, timbres, alturas; seus riffs arrastados aqui se destacam envoltos a belas melodias das canções. To The Darkess e a faixa título ilustram bem essas minhas palavras. O último destaque fica para a parte lírica. Fazia tempo que eu não via banda de Heavy Metal conseguir a conexão perfeita entre som/letra como o Paradise Lost conseguiu nesse trabalho: “Afraid and down I wander, damned & disobeyed”, de Worth Fighting For sintetiza toda a parte lírica de Tragic Idol...
A banda manteve Jens Bogren na produção – o qual trabalhou nos últimos discos do Paradise Lost – talvez fator de uma boa parte do resultado obtido, pois Bogren vem lado a lado nessa evolução da banda nos últimos anos. Tragic Idol é perfeito, com o Paradise Lost acertando a mão novamente e fazendo dele já um clássico em sua discografia, ao lado de Draconian Times.
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