Depois de seis anos sem lançar nada, os mestres do Stoner Metal voltaram com um trabalho primoroso, mas de difícil assimilação. Lee Dorian, Gary "Gaz" Jennings, Leo Smee e Brian Dixon voltaram com tudo, tanto que as idéias não couberam num disco só, com a banda lançando um trabalho duplo
No primeiro disco, mais progressivo e variado, a banda abre com a instrumental Immaculate Misconception dando um ponta pé para a stonerzaça Funeral of a Dreams: pesada com partes psicodélicas, já marca registrada da banda. Paint in the Dark é puro rock’n’roll, uma das composições mais contagiantes da banda, séria candidata a ser mais uma clássica! A belíssima melodia e os riffs Heavy Metal Tradicional (lembrando muito o Iron Maiden) dá o tom na Death of an Anarchist enquanto a faixa título é puramente progressiva. Com uma pequena invocação mágica, a banda manda a arrastada Edwige’s Eyes e fecha o primeiro disco com uma das mais perfeitas peças já composta pela banda, Cats, Incense, Candles & Wine: começando com violões e voz que descamba em riffs rock’n’roll contagiantes e partes psicodélicas no meio da composição, mostra que a banda ainda tem muito o que mostrar dentro de seus trabalhos.
O segundo disco abre com mais uma instrumental, One Dimensional People que nos prepara para a pancadaria de Casket Chasers. Indo ao contrário do primeiro disco, aqui estão as músicas mais pesadas e Doom da banda, como na pesadíssima Ghost Galleon (com uma introdução de baixo e uma levada de bateria perfeitos!). The Running Man parece ter sido tirada dos anos 70; a junção de peso e psicodelia num ritmo lento comandado por riffs feitos num teclado faz com que ela seja uma das melhores composições do trabalho. A banda não esqueceu seu lado Doom Metal na Requiem For the Voiceless e termina com uma típica música stoner da banda com Journey Into Jade.
As letras são primorosas. Desde os sons voltados á bruxaria (Edwige’s Eyes) e misticismo (Cats, Incense, Candles & Wine) à conceitos políticos e filosóficos (Death of an Anarchist e The Running Man), e não tem como não destacar as letras de Journeys Into Jade, feito com nomes de discos da carreira do grupo (uma verdadeira reflexão sobre a história da banda e o que o futuro os reserva) e da Requiem For the Voiceless, um verdadeiro manifesto contra as agressões contra animais que vemos mundo afora.
O disco pode parecer um pouco estranho no começo, pois é muita informação que a banda joga em nossos ouvidos, dando uma geral em tudo que já fizeram em sua carreira, misturados à sons e texturas novas que a banda trouxe, ficando à primeira audição uma cacofonia sem sentido e direção; mas com o tempo e muitas escutadas depois, vemos que é um dos melhores e mais coerentes trabalhos da banda!
Resenhas • Alquimia Rock Club

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