Anathema - 2011 - Falling Deeper
Após a longa mudança que o Anathema teve em sua experimental carreira, indo do Doom/Death Metal característico das bandas britânicas no começo dos anos 90 (que, junto com o Paradise Lost e o My Dying Bride, são os “criadores” do estilo) para um estilo totalmente voltado ao Progressivo, culminaram em 2010 no We’re Here Because We’re Here – muito aclamado pela crítica – onde a banda largou guitarras sujas, sons arrastados, voz gutural para algo mais introspectivo, mas sem perder a melancolia sempre presente em seus trabalhos. Mas ainda o Anathema sempre ficava à sombra de seu passado, com alguns fãs sempre com esperança que a banda voltasse à sua sonoridade antiga; como uma forma de enterrar de vez o começo de sua história, mas sem esquecer grandiosas canções, o Anathema lança Falling Deeper, um disco de regravações de clássicos dos seus primeiros trabalhos.
O resultado ficou num disco extremamente melancólico em um “mergulho” nas composições e tirando o peso delas e deixando somente as belas melodias com novos arranjos (o próprio nome do trabalho já diz tudo). Algumas canções não saíram muito daquilo em que foram concebidas originalmente, como a abertura com Crestfallen, onde ficou com a melodia original da guitarra tocada no piano; mas algumas ficaram totalmente irreconhecíveis e diferentes, como se fossem novas canções, como é o caso de Kingdom, onde seus quase oito minutos originais do mais puro Doom se tornou em um som atmosférico e intrigante. Os novos arranjos, com maestria dos irmãos Danny e Vicent Cavanagh , vão desde o som orquestral (a maravilhosa versão de J'ai Fait Une Promesse, onde a melodia cantada no original foi deixada de lado e passou à uma versão instrumental belissimamente tocada em violino e piano) ao som pastoral (na magnífica releitura de Everwake, onde a bela Anneke van Giersbergen mais uma vez empresta sua surreal voz à banda). Os pontos altos ficam por conta de Alone e Sunset of Age: duas músicas que se tornaram oníricas, ”viajandonas”, duas pérolas do som Progressivo que a banda adotou.
Os irmãos assinam também a produção do disco; então, soubram perfeitamente o que queriam de sonoridade, e acertaram em cheio. Não é a primeira banda Doom/Death que faz releituras assim ou muda seu som (lembrem dos discos mais voltados ao eletrônico do Paradise Lost ou o recente disco do My Dying Bride onde propuseram a mesma coisa que esse trabalho do Anathema, com canções em versões eruditas), mas a diferença que o Anathema realmente deixou um legado que influenciou muitas bandas extremas e góticas para um som mais progressivo. Reclamar disso? Não, a essência melancólica continua lá e tem mostrado excelentes discos, sendo esse mais um.
Músico formado em composição e arranjo, atualmente expande seus estudos musicais na UNIS em licenciatura. Possui DRT em Jornalismo e Produtor Cultural e trabalha na área de criação musical, com já fez trabalhos em produções artísticas, rádio e TV.