Entrevistas

Maestrick: “A essência continua a mesma”

Por André BG | Em 16/12/2016 - 14:26
Fonte: Alquimia Rock Club

Foto: Sarina Lopes

 

Dona de um som peculiar, totalmente único e estando prestes a lançar seu novo álbum, a banda Maestrick concedeu uma entrevista exclusiva para o Alquimia Rock Club através do vocalista e pianista Fábio Caldeira, que falou sobre o novo trabalho dentre outros assuntos que você confere a seguir:

 

 

Alquimia Rock Club: Primeiramente, gostaríamos de agradecer por concederem essa entrevista para o Alquimia Rock Club. Vamos começar falando um pouco sobre o Maestrick, para quem ainda não conhece a banda. Como e quando vocês começaram e quais são as influências e propostas da banda?

 

Fábio Caldeira: Nós é que agradecemos. O Maestrick foi formado no início de 2006 e todos nós já havíamos tido experiências em outras bandas no decorrer dos anos e o foco principal sempre foi fazer um trabalho que conseguisse nos representar artisticamente e pessoalmente. Obviamente isso não é algo fácil, mas nosso pontapé inicial foi não limitar nenhuma das ideias que tínhamos. Por mais absurda que fosse nós entenderíamos e absorveríamos. Aos poucos o conceito do que veio a ser o “Unpuzzle!” foi moldado e aí selecionamos tudo o que fazia parte desse conceito. Assim tínhamos algo que era espontâneo e que finalmente nos representava.

 

Alquimia Rock Club: Vocês lançaram em 2011 o álbum de estreia Unpuzzle!, trazendo uma sonoridade bem particular, definido naquele momento como uma “aquarela musical”, mostrando uma serie de influencias artísticas com referencias na pintura, cinema, literatura, teatro e dança. Gostaria que comentassem um pouco sobre esse trabalho, como foram desenvolvidas as ideias que resultaram nessa “aquarela musical” e como vocês o vêem hoje?


Fábio: Nós sempre gostamos de trabalhar com uma história, um conceito, e pensamos nas músicas como a trilha dessas histórias. Os temas são aleatórios, podem ser realistas ou não. No “Unpuzzle!”, por exemplo, o conceito gira em torno de um realismo fantástico que é uma exposição de artes em um museu, com seres de tinta, um irônico trapaceiro e muitos outros personagens que vivem dentro de quadros, que são na verdade peças de um grande quebra-cabeça. É o que no momento surgiu e certamente foi um reflexo de quem éramos na época. Eu olho com muito orgulho e com muita gratidão para esse nosso primeiro passo, porque ele nos ajudou a nos definir como músicos/artistas.

 

Alquimia Rock Club: Ao ouvir o álbum, em alguns momentos como em “Sir Kus” e “Puzzler”, me senti como se estivesse assistindo um espetáculo circense, já “Disturbia” me pareceu ter mais um clima teatral, esse foi o tipo de sensação que a banda quis passar? 


Fábio: Exatamente isso. Cada música do disco é um mundo distinto, mesmo fazendo parte do conceito geral, cada uma é independente. A “Sir Kus” é uma música totalmente circense e tem uma mensagem muito interessante. Ela diz que não estamos aqui apenas para entreter, que você deve ficar atento a tudo o que se passa no disco. É uma metáfora interessante. Já a “Puzzler”, tem uma pegada de Jazz Tradicional, com um riff de washburn na introdução, bem característico. As duas são bem sarcásticas e engraçadas. Já a “Disturbia” é a música com o clima mais pesado do disco. Ela fala sobre um ser em conflito e eu particularmente me atentei muito a interpretação por parte dos vocais para passar essa ideia, assim como meus irmãos na parte instrumental. 

 

 

Alquimia Rock Club: Ainda sobre Unpuzzle!, a faixa que encerra o álbum, “Lake of Emotions”,  chama muito atenção, já que passa dos 21 minutos de duração. Vocês chegaram a tocar ou tem planos de tocá-la ao vivo? 


Fábio: Sim, nós já a tocamos várias vezes e sempre é um desafio. Tanto pela quantidade de partes diferentes e dinâmicas, quanto pelo feeling, para que ela não soe “fria”. A “Lake...” é uma música muito emocional, como o próprio nome diz, portanto precisa de muita atenção no mais amplo sentido da palavra. Nós gostamos muito de tocar ela ao vivo.

 

Alquimia Rock Club: A banda passou por algumas mudanças na formação com relação aos músicos que gravaram Unpuzzle!, com a saída de alguns integrantes, hoje oficialmente vocês são um trio, sem um guitarrista oficial. Vocês têm planos para recrutar novos membros?


Fábio: Com certeza temos planos de ter um guitarrista fixo, mas estamos focados agora em finalizar as gravações do nosso novo disco, “Espresso Della Vita: Solare”, que terá as guitarras gravadas pelo nosso produtor Adair Daufembach.

 

Alquimia Rock Club: Vocês lançaram esse ano o EP The Trick Side Of Some Songs contando apenas com versões de bandas que influenciaram o Maestrick de alguma forma. Comentem um pouco sobre esse EP, de onde surgiu a ideia de lançar um registro com essas versões?


Fábio: A ideia veio de forma despretensiosa depois que fizemos o tributo ao Dio, com a versão de “Rainbow Eyes” do Rainbow. Nós pensamos em gravar algo para homenagear algumas bandas que nos influenciam e presentear as pessoas que acompanham nosso trabalho. Nós não queríamos um hiato maior entre um disco e outro e aproveitamos para definir, aqui termina o primeiro disco e começa o outro. Foi como uma espécie de “ritual de passagem”, que já fizemos e do que viríamos a fazer. No final foi algo muito divertido de se fazer.

 

Alquimia Rock Club: Em uma atitude no mínimo audaciosa, vocês não simplesmente apenas regravaram as músicas, mas deram uma cara totalmente diferente para algumas delas. Em algum momento Chegaram a pensar na reação de alguns fãs mais radicais e conservadores? 


Fábio: Sim, isso foi algo que nos manteve atentos desde o início. Mas partindo dessa premissa, nós também somos fãs pra caramba dessas bandas e as respeitamos demais. O segundo ponto é que não seríamos pretensiosos o bastante para tentar “melhorar” algo que já é perfeito como é. Nós simplesmente quisemos interpretá-las como o Maestrick, de forma espontânea, responsável e respeitosa.  

 

 

Alquimia Rock Club: Há alguma música que vocês gostariam de ter feito uma versão, mas não fizeram nessa oportunidade? 


Fábio: Existem várias, e nada nos impede de tornarmos uma tradição entre um lançamento e outro, fazer um “The Trick Side...” parte dois, três. E aí temos uma infinidade de ideias para versões. Mas isso será em outro momento e se for natural para todos nós.

 

Alquimia Rock Club: Vocês já anunciaram que estão trabalhando em um novo álbum “Espresso Della Vita: Solare”, como anda o processo de gravação desse novo trabalho?


Fábio: Já foram gravadas todas as baterias, todos os baixos, e eu finalizei os vocais na semana passada. Estamos muito felizes com o resultado até agora e o próximo passo será a gravação das guitarras, que ficarão, como disse anteriormente, por conta do nosso produtor, Adair Daufembach. Em seguida, teremos os coros, as orquestras e os instrumentos acústicos, como violão, banjo, dobro, ukulelê e percussões.

 

Alquimia Rock Club: O que o público pode esperar desse novo álbum? Vocês pretendem manter aquela temática do Unpuzzle!, (que, a meu ver, ainda soa como algo inovador) ou pretendem surpreender a todos novamente com uma temática totalmente diferente?


Fábio: O que posso dizer definitivamente é que é um disco do Maestrick. A essência continua a mesma, a música em primeiro lugar e as referências a outros movimentos artísticos. A diferença é que dessa vez falaremos de uma viagem de trem de 24 horas como uma metáfora das nossas vidas. Dividimos a história em dois discos, sendo que o primeiro chamado “Solare” possui 12 músicas representando às 12 horas do dia. O segundo, que será gravado posteriormente, se chamará “Lunare” e possuirá 12 músicas, representando às 12 horas da noite. 

 

Alquimia Rock Club: O Maestrick completou nesse ano uma década de atividades, qual o balanço que vocês fazem desse período?


Fábio: Nós somos muito felizes e gratos por tudo o que alcançamos até agora. Não nos preocupamos em pular etapas, pois entendemos que cada uma delas traz uma lição importante e que faz toda a diferença para tudo o que almejamos.

 

Alquimia Rock Club: Dentro desse período muita coisa aconteceu e mudou e continua mudando na cena Rock/Metal no Brasil, como vocês vêem a cena atualmente, quais as expectativas e onde o Maestrick se encaixa nesse contexto?


Fábio: Nós acreditamos que tudo o que for real, sincero e feito com amor sempre terá espaço independentemente das dificuldades que existam ou venham a existir. Nosso compromisso é com a arte e nós procuramos trabalhar sempre focando nas soluções e não nos problemas. Então a gente se preocupa mais em o que precisamos fazer e menos se será difícil ou não. 

 

Alquimia Rock Club: Além do novo álbum, quais os planos para o futuro próximo da banda?


Fábio: O foco do ano que vem é a promoção do “Solare” e faremos o máximo de shows possível. Temos projetos de vídeo clipes e então começar a pré-produção do “Lunare”, segunda parte do “Espresso Della Vita”.

 

Alquimia Rock Club: Mais uma vez, agradecemos por concederem essa entrevista para o Alquimia Rock Club, o espaço é todo de vocês para darem um recado final ao público.


Fábio: Mais uma vez, nós é que agradecemos. J Desejo o melhor para todos vocês da equipe do Alquimia Rock Club. É sempre uma honra e uma grande felicidade para nós poder falar do Maestrick. Espero que tenhamos muitas outras oportunidades de entrevistas e aguardem que o trem do Espresso Della Vita está chegando cheio de histórias musicais e líricas. Luz, Paz e Arte!

  

 

Mais Informações:  

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Confira também a resenha do EP "The Trick Side Of Some Songs" do Maestrick pelo Alquimia Rock Club: http://www.alquimiarockclub.com.br/resenhas/4706/


Confira também a resenha do álbum "Unpuzzle!" do Maestrick pelo Alquimia Rock Club: http://www.alquimiarockclub.com.br/resenhas/4995/ 

 

 



André BG

Apenas um cara que curte futebol, mulher e Rock 'n' Roll, bebe cerveja e torce para o Palmeiras!

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